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04.Jun - Sem perdão
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Sem perdão

 


“Os parentes de Jesus saíram para agarrá-lo, porque diziam que estava fora de si”. (...) Os mestres da Lei, que tinham vindo de Jerusalém, diziam que ele estava possuído por Belzebu, e que pelo príncipe dos demônios expulsava os demônios. (...) porque diziam: Ele está possuído por um espírito mau”. A liturgia dominical, partindo dos textos de Marcos 3,20-35; Gênesis 3,9-15 e 2 Coríntios 4,13-18-5,1, reflete sobre estas acusações feitas a Jesus e suas respostas.


O fato ocorre quando Jesus entra na casa de um discípulo e uma grande multidão se aglomera impedindo-o até de comer. Os parentes zelosos não queriam alguém da família com comportamento fora do “normal”. Mas o que Jesus havia feito de extraordinário ou de forma insensata até aquele momento para ser tão requisitado? Registram os evangelistas que Jesus ensinava com autoridade e sabedoria e através de uma linguagem compreensível. As reações dos ouvintes são de admiração e reconhecimento. Dava atenção a todas as pessoas sem fazer distinção e sem privilégios. Estava à disposição das pessoas, mesmo que não tivesse tempo para si. Suas ações eram libertadoras – cura, perdoa, expulsa demônios, etc - restituindo a leveza e a alegria de viver. Este modo de agir fez os parentes concluírem que estivesse fora de si.


Os mestres Lei fizeram uma longa viagem, atravessando o país de sul a norte, para acusá-lo que está possuído por Belzebu e agia em nome dele. Em outras palavras, acusavam que Jesus estava fazendo o bem em nome daquele que é a fonte do mal. Levantam um falso testemunho, induzem as pessoas e formam a opinião pública contra Jesus que estava possuído por espírito mau. Afirmam que Jesus está endemoninhado. É a encarnação do mal. É uma gravíssima acusação feita com uma inversão total dos fatos com o objetivo de gerar um descrédito total a tudo o ele fazia e ensinava.


A resposta de Jesus é cheia de sabedoria. Afirma que se está expulsando demônios é por ser mais forte do que eles. Também faz um alerta aos que o acusavam falsamente. “Mas quem blasfemar contra o Espírito Santo, nunca será perdoado, mas será culpado de um pecado eterno”. O exegeta Rudolf Pesch interpreta a blasfêmia sem perdão como sendo “a obstinada refutação de reconhecer os sinais e ações de Deus nos sinais de seu santo Espírito, é o fechar os olhos à positividade da pregação profeta e da atividade de Jesus interpretando-a como ação demoníaca”.


A reflexão do Cardeal Gianfranco Ravasi é esclarecedora. “Quem chega a este nível de ódio e de rejeição quase selou seu destino e a sua condenação definitiva, é a reação extrema que cancela a luz, declarando-a trevas, que combate o bem definindo-o como mal”.


No mundo convivemos com o mistério da iniquidade que está ligado à rejeição total da verdade e do amor. Todas as ações humanas, sejam por palavras, atos e omissões, que ferem a dignidade humana são graves e necessitam de correção e perdão. Vivemos em tempos de pandemia da covid-19. Diariamente são noticiados fatos de maldade diretamente relacionados com o enfrentamento da pandemia: desvio de recursos, falsificação de documentos, fura fila, pressões infundadas, manipulação de informações e dados, etc.


A partir das acusações falsas feitas a Jesus, gravíssimas são todas as distorções da verdade, sobre qualquer assunto que seja, que conscientemente manipulam as pessoas gerando um ambiente hostil, de divisão e de guerra. Isto é demoníaco. Merece atenção o alerta de Jesus: “Se um reino se divide contra si mesmo, ele não poderá manter-se. Se uma família se divide contra si mesma, ela não poderá manter-se”. Quem conscientemente provoca divisão e confusão é merece perdão?


 


 


Dom Rodolfo Luís Weber

Dom Rodolfo Luís Weber

O arcebispo metropolitano de Passo Fundo, dom Rodolfo Luís Weber, escreve semanalmente artigos de opinião sobre temas diversos e latentes em nossa sociedade.

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