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28.Out - Eu creio na vida eterna
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Eu creio na vida eterna

A proximidade do Dia de Finados convida a refletir sobre a morte. Os cemitérios fazem parte da paisagem das cidades e dos campos. São o sinal das inúmeras gerações que nos precederam. Indicam a finitude dos humanos e de todos os seres vivos. Convivemos cotidianamente com as notícias de mortes ocorridas pelas mais diversas causas. O sonho é que todas as mortes ocorram por causas naturais, mesmo estas não aceitamos.


Levar a sério a morte é sinal da valorização da vida. É importante falar sobre ela. A morte é uma realidade que não se conforma com a superficialidade. Não pode ser ignorado o fator existencial do medo de morrer e da sua imprevisibilidade. A certeza da morte gera angústia.


Como o cristão convive com a certeza da morte? As atitudes e palavras de Jesus Cristo são luz que iluminam este contexto angustiante e sofrido. O evangelho de João 11,1-44 relata a postura de Jesus diante da morte do amigo Lázaro. A primeira atitude é de solidariedade com Maria e Marta, as irmãs do falecido, indo visitá-las, ouvindo-as, dialogando com elas sobre o acontecimento. No encontro com as irmãs e o corpo do falecido, o evangelista registra que, Jesus “comoveu-se interiormente”, “perturbou-se” e “chorou”. Na véspera de ser crucificado manifesta a sua angústia e medo. No alto da cruz sente-se abandonado.


O encontro com a irmãs proporcionou uma oportunidade para dialogar. A conversa inicia com a manifestação das irmãs de que a morte poderia ter sido evitada se Jesus tivesse chegado antes. Ele não ignora este desejo, mas não se fixa nesta queixa. Jesus abre um novo horizonte para Marta e Maria diante do desejo de imortalidade. “Teu irmão ressuscitará”. “Eu sou a ressurreição e a vida.  Quem crê em mim, ainda que tenha morrido, viverá”. A limitada condição humana, marcada pela morte, pode ser vista sob nova perspectiva. Os seguidores de Cristo podem professar: eu creio na vida eterna!


Os cristãos percebem que Jesus Cristo não ignora, nem minimiza o sofrimento causado pela morte dos entes queridos. Pois, não é possível ficar indiferente nesta ocasião. O cristão também ouve de Jesus Cristo a boa nova da vida eterna e da ressurreição. Ao sofredor é oferecida a virtude teologal da esperança. A esperança não é somente a espera de um bem futuro; mas é antecipação das coisas futuras prometidas e já doadas pelo Senhor. “Na esperança, o hoje se abre para o horizonte da eternidade e a eternidade vem colocar as suas tendas no hoje; graças à esperança, o tempo quantificado (que nunca nos é suficiente, que é sempre muito pouco) torna-se tempo qualificado, hora da graça, tempo favorável, hoje da salvação, momento degustado na paz” (Cardeal Martini).


A pandemia da covid-19 impediu a realização digna e humana de velórios e a celebração das exéquias ou funerais. A Igreja, através do Ritual das Exéquias, participa da vida dos fiéis em luto. Ela exprime o caráter pascal da morte cristã e anuncia à comunidade a fé na vida eterna e, simultaneamente, realça a provisoriedade da vida terrena. As exéquias também têm por finalidade ser presença consoladora e fraterna junto aos familiares enlutados. Pois a dor dos familiares não pode ser quantificada, mas pode ser compartilhada e despertar compaixão.


Aos falecidos, dai-lhes, Senhor, o repouso eterno. E brilhe para eles a vossa luz. Descansem em paz. Amém.


 


Dom Rodolfo Luís Weber

Dom Rodolfo Luís Weber

O arcebispo metropolitano de Passo Fundo, dom Rodolfo Luís Weber, escreve semanalmente artigos de opinião sobre temas diversos e latentes em nossa sociedade.

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