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FORMAÇÕES
14.Jan - Viver é um gesto educacional!
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Viver é um gesto educacional!


Educar é um ato abalizadamente humano e também uma ação transcendente, divina. Na alteridade do viver somos interpelados mutuamente ao aprender e ao ensinar. Como seres de relação e convívio comunitário, sociocultural, político econômico e eclesial, compartilhamos saberes diversos que nos chegam diuturnamente através de vínculos familiares, amistosos, educacionais, laborais e também religiosos. Viver é um gesto educacional!


Pensemos, por um instante, na criança que, desde o nascer, carece múltiplos cuidados, fazendo com que a(s) pessoa(s) responsável(eis) por seu desenvolvimento necessite(m) saber e ou aprender quais meios são essenciais para sua sobrevivência e formação humana integral. Saber-se-á, isoladamente, compreender e dominar todas as competências exigidas neste processo? “Que sucede quando não há a fraternidade conscientemente cultivada, quando não há uma vontade política de fraternidade, traduzida numa educação para a fraternidade, o diálogo, a descoberta da reciprocidade e enriquecimento mútuo como valores?” (FrT, n.103).


Martha Nussbaum compreende a educação pelo viés das capacitações (capabilities) e seu alto poder de fecundidade na alteridade humana, bem como a pertinência de circunstâncias mínimas existenciais à sociedade para que esta seja considerada justa e corrobore na realização pessoal dos sujeitos e sua integração social. Neste construto, a dignidade humana trabalha como valor norteador da justiça social na qual os sujeitos agem enquanto atores com poder sociotransformador. A inexistência da práxis humana, consciente de suas capacitações, exercício da liberdade, autonomia e participação ativa, ocasiona atrofia à formação integral e ao dinamismo social, eclesial, político econômico e cultural. Fundamental apresenta-se, neste ínterim, “a educação, como fator de liberdade, responsabilidade e desenvolvimento” (Papa Francisco).


À luz do Evangelho, no processo de educação na fé, “aos homens e às mulheres do nosso tempo, seus companheiros de viagem, a Igreja oferece também a sua doutrina social. De fato, quando a Igreja ‘cumpre a sua missão de anunciar o Evangelho, testemunha ao homem, em nome de Cristo, sua dignidade própria e sua vocação à comunhão de pessoas; ensina-lhes as exigências da justiça e da paz, de acordo com a sabedoria divina’. Tal doutrina possui uma profunda unidade, que provém da Fé em uma salvação integral, da Esperança em uma justiça plena, da Caridade que torna todos os homens verdadeiramente irmãos em Cristo” (CDSI, n .3).


Atentos(as) à importância da educação, seja no âmbito familiar, escolar/acadêmico, político social, econômico ou socioeclesial, transparece salutar “educarmo-nos para o cuidado dialogal, nas relações interpessoais, e para o compromisso socioambiental; educarmo-nos para a redescoberta das motivações mais profundas ao próprio ato de educar”; propõe-nos a Campanha da Fraternidade (CF) 2022. Educar na fraternidade e na amizade social permite-nos refletir a ação pedagógica não como ato isolado, mas como um verdadeiro encontro de educadores(as) e educandos(as) que compartilham saberes e aprendizados pelo processo de construção e aprimoramento de suas capacitações, observando zelosamente a dignidade integral de cada sujeito e do coletivo social, isto é, o bem comum (Jo 10,10).  


Há um provérbio africano que sustenta ser “preciso uma aldeia para educar uma criança”; e, na atualidade, que “aldeias” são necessárias e indispensáveis para a educação integral humana, a saber, das juventudes? A CF 2022 instiga-nos dialogar acerca dos fundamentos do ato de educar. É convite a refletir o caminho educacional integral humano que ultrapassa as dimensões escolares, a transmissão de conteúdos e/ou a preparação técnica para uma ação laboral, a inserção no modus operandi do trabalho. São estes elementos importantes, é verdade, porém, não únicos no peregrinar educacional e cultural humano.


Deveras importante é alargar horizontes e conscientemente discernir quais são os motivos, a abrangência e as metas que conduzem o processo educativo brasileiro neste contexto contemporâneo. Papa Francisco, propôs à humanidade caminhar a partir de um “Pacto Educativo Global” com vistas ao cuidado integral com a pessoa, a casa comum e a espiritualidade do bem viver. Que possamos, juntos(as), “falar com sabedoria e ensinar com amor” (Pr 31,26) conscientes de que “a educação será ineficaz e os seus esforços estéreis, se não se preocupar também por difundir um novo modelo relativo ao ser humano, à vida, à sociedade e à relação com a natureza” (LS, n. 215). 



Padre Leandro de Mello

Padre Leandro de Mello

Pároco na paróquia São Francisco de Assis e Assessor da Pastoral da Juventude

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