Arquidiocese de Passo Fundo
 
 
FORMAÇÕES
16.Jul - Juventude Rural!
Aumentar Fonte +
Diminuir Fonte -
Juventude Rural!

 


Sonhar perspectivas e edificar projetos compõem o existir humano. A juventude traz consigo, à vida, o sonhar. Almeja-se alcançar metas, objetivos pessoais, comunitários e sociais, muitas vezes, consolidados ao longo de processos históricos truncados e que demandam decisões e ações ousadas. Estima-se que, hoje, no Brasil há 49,95 milhões de jovens entre 15 e 29 anos. Destes, 85,2%, sonha conquistar educação de qualidade. Que sonhos, outros, conduzem a juventude?


O Estatuto da Juventude, através da Lei 12.852/13, consolida às jovens e aos jovens brasileiros, direito: à cidadania, à participação social, política e à representação juvenil; à educação; à profissionalização, ao trabalho e à renda; à igualdade; à saúde; à cultura; ao desporto, ao lazer e ao meio ambiente ecologicamente equilibrado. No Rio Grande do Sul, a saber, instituiu-se pela Lei 11.361/1999 o Dia Estadual da Juventude Rural a ser celebrado, em 15 de julho, anualmente. A Lei Estadual da Juventude Rural identifica como jovem rural quem é filho(a) de “agricultor, proprietário, meeiro, arrendatário, ocupante assalariado ou assentado rural, com até 35 anos de idade”.


Pesquisas demonstram que no Rio Grande do Sul a densidade demográfica média², em 2020, é de 42,5 hab/km². O estado gaúcho apresenta a menor densidade da região sul-brasileira, apesar de superar a média nacional de 24,9 hab/km². Sabe-se, ademais, que 66,2% dos municípios gaúchos têm população inferior a 10 mil habitantes e que os 19 municípios com população superior a 100 mil habitantes acolhem 48,3% da população gaúcha.


Raquel Breitenbach, doutora em Extensão Rural (UFSM), e Graziela Corazza, Engenheira Agrônoma (IFRS), publicaram na Revista Brasileira de Gestão e Desenvolvimento Regional (G&DR. V. 16, N. 3, P. 413-428, set-dez/2020. Taubaté, SP, Brasil) uma pesquisa sob título: “JOVENS RURAIS DO RIO GRANDE DO SUL/BRASIL: QUESTÕES DE GÊNERO NA SUCESSÃO GERACIONAL” na qual refletem, de forma científica, a realidade juvenil rural a partir do levantamento de dados quantitativos, via questionário aplicado no segundo semestre de 2018, a 743 jovens (homens e mulheres) rurais que cursavam o Ensino Médio nas 28 regiões do RS.


Constatou-se intensa masculinização do meio rural gaúcho; “êxodo seletivo das mulheres na faixa etária de 15 a 24 anos; redução da taxa de natalidade e o aumento populacional de idosos;” há predominância de jovens masculinos com idades entre 15 e 29 anos, uma vez que, no RS “87,9% dos proprietários de estabelecimentos agropecuários são homens e apenas 12,1% são mulheres”. Tais análises corroboram, à reflexão, quanto ao comprometimento do processo sucessório das propriedades e para interferência da dinâmica sócio produtiva rural, especialmente, às pequenas propriedades.  


A 6ª Semana Social Brasileira (SSB) exorta-nos refletir o tema “Mutirão pela vida: por Terra, Teto e Trabalho”. Dentre os cinco cadernos de formação, o quarto material, propõe dialogar acerta do território, dos direitos sociais e da cidadania, abarcando comunidades tradicionais, direito à cidade, desigualdades, energia, questões agrárias, questões das mulheres e o trabalho, migração, direito à água, etc. Sugestiva leitura!


A Arquidiocese de Passo Fundo, constituída em 1951, celebra 70 anos, neste 2021. É mister recordar a década 1980, quando jovens ligados a Pastoral da Juventude Rural (PJR), articulavam-se promovendo reuniões, celebrações, encontros formativos, com destaque para a Escola Alternativa para a Juventude Rural (ESCAJUR). Em quase todas as comunidades rurais havia grupos de jovens, aproximando-se a 500 grupos organizados. Uma consequência do envolvimento juvenil neste processo fora seu engajamento sócio eclesial, político econômico e cultural.


O contexto político social e agrário vigente naquele período (1970-1985) da realidade do Rio Grande do Sul, marcado pelo surgimento da agroindústria, criação de faculdades, busca por novos espaços e territórios de produção, construção de barragens hidroelétricas, contribuíram para um redirecionamento migratório de muitas famílias com pequenas propriedades rurais, sobretudo, descendentes de imigrantes europeus. “Os jovens, principalmente, começaram a abandonar a agricultura, antes de constituir família, buscando trabalho e estudo nas cidades próximas” (BENINCÁ, 2016), nos centros urbanos maiores, e na capital gaúcha, Porto Alegre. Segundo Elli Benincá, doutor em Educação, esta realidade é reconhecida como o “fenômeno da urbanização provocado pelo êxodo rural”.


O contexto agrário rio-grandense, das últimas décadas, forjado com profundas marcas à região norte, ganha a posteriori proporções nacionais. Na realidade contemporânea, diversas lideranças pastorais, inclusive jovens, trazem em sua história marcas rurais de luta, organização, articulação e protagonismo que, ao longo do caminho percorrido, contou com a presença da Igreja Católica, em Passo Fundo. Nesta semana da juventude rural, revisitar a história, celebrando memórias, encoraja à dar continuidade em ações, à luz do Evangelho, capazes de gestar processos para o bem comum e a “vida em abundância” (Jo 10,10).


 


Padre Leandro de Mello

Padre Leandro de Mello

Pároco na paróquia São Francisco de Assis e Assessor da Pastoral da Juventude

Indique a um amigo
 
CONTATO
Cúria Metropolitana
Rua Coronel Chicuta, 436 - 4º Andar | Edifício Nossa Senhora Aparecida - Centro - 99010-051 | Passo Fundo/RS
(54) 3045-9240

Centro de Pastoral
Rua Coronel Chicuta, 436 - 2º Andar | Edifício Nossa Senhora Aparecida - Centro - 99010-051 | Passo Fundo/RS
(54) 3045-9204
 
 
 

Copyright @ 2021 - Arquidiocese de Passo Fundo. Todos os direitos reservados.