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19.Jul - Imigração venezuelana, Novo Horizonte: esperança e superação
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Imigração venezuelana, Novo Horizonte: esperança e superação

Nos últimos anos, o tema das migrações forçadas e do refúgio vem alcançando o Brasil com mais intensidade. A experiência com a acolhida de haitianos, sírios, senegaleses e, a partir de 2015 venezuelanos, tem pressionado as instituições brasileiras a darem respostas. Com o fluxo venezuelano, o país buscou institucionalizar uma resposta por meio da Operação Acolhida, do Exército Nacional, com foco no acolhimento emergencial, abrigamento e interiorização. A Igreja, sempre atenta às situações humanas, também articulou respostas desde a CNBB e outras Instituições, construindo “Caminhos de Solidariedade”. Estas dinâmicas também alcançaram o Rio Grande do Sul, incluindo o espaço territorial da Arquidiocese de Passo Fundo. Como resposta, a Arquidiocese marcou seu compromisso acolhendo, no dia 29 de outubro de 2019, 20 pessoas venezuelanas, em coordenação com a Diocese de Roraima através do Serviço Jesuíta para Migrantes e Refugiados e a Caritas Diocesana. Além da primeira acolhida em residências preparadas pelas paróquias de acolhida e a Pastoral Arquidiocesana das Migrações, se ofereceu a estas pessoas e famílias, um acompanhamento continuado no seu processo de integração em 5 paróquias: - Nossa Senhora Aparecida (Catedral), São Cristóvão, São José Operário, Gentil e Santa Teresinha. A metodologia usada nesta ação missionária, sob a responsabilidade de Dom Rodolfo Luis Weber – Arcebispo da Arquidiocese de Passo Fundo, o serviço de animação, organização e coordenação geral da Pastoral Arquidiocesana das Migrações, a colaboração dos párocos das paróquias de acolhida e suas equipes e a Fundação Lucas Araújo, constituiu um elemento decisivo na superação de barreiras e aceleração dos processos de integração.


O projeto “Caminhos da solidariedade” foi possível pela ajuda de diversas organizações, sendo que a viabilização financeira de acolhida foi possível através de recursos do FDS- Fundo de Solidariedade da Arquidiocese de Passo Fundo, que assumiu aluguéis, contas de energia elétrica e água por um período de três a seis meses, bem como a aquisição de utensílios necessários. O restante, tudo foi doado através da solidariedade de pessoas voluntárias e das comunidades católicas.


ACOLHER E SER ACOLHIDO


Migrar para outro país é um ato de fé que implica no afastamento de sua língua, de seu povo, de seu país, de suas raízes, e no enfrentamento dos inúmeros desafios do ser migrante, como assumir uma nova língua, nova cultura, novo clima, e enfrentar a solidão e a saudade.


Na reflexão do Papa Francisco, cada forasteiro que bate à nossa porta constitui uma oportunidade de encontro com Cristo, que se identifica com o forasteiro acolhido ou rejeitado de cada época (Cf. Mt 25, 35), e afirma que o Senhor confia ao amor materno da Igreja, cada ser humano forçado a deixar a sua pátria à procura de um futuro melhor.


Contudo, não é suficiente fazer uma primeira acolhida aos imigrantes, somos chamados à colocar-nos à disposição e acompanhá-los no seu processo de integração, oferecendo-lhes uma mão amiga nos diversos estágios de sua caminhada. Para melhor captar o significado da aproximação, acolhida e acompanhamento, é importante escutar o que responderam, em junho de 2020, os adultos dos 20 imigrantes venezuelanos acolhidos pela Arquidiocese, em outubro de 2019, ao serem perguntados sobre:  


PERGUNTA 1 – Como você avalia a ajuda e o apoio que lhe ofereceu a paróquia, a Pastoral das Migrações e demais pessoas durante os sete meses de presença na Arquidiocese de Passo Fundo?


Todas as respostas evidenciaram reconhecimento e gratidão, e algumas incluem a disposição de contribuir com a pastoral e ajudar a outros imigrantes que precisassem, como forma de retribuir pela ajuda recebida. Para ilustrar se recolhem algumas expressões textuais, como segue:


- Mil graças, agradeço de todo coração seu apoio, a ajuda da Igreja durante estes 7 meses, e tudo o que a paróquia e os colaboradores fizeram e fazem por nós, minha família também agradece; O apoio foi excelente e de grande ajuda, lhes dou 1.000.000 em pontuação, foi o melhor apoio do mundo, todas as pessoas maravilhosas, muito boas e generosas; Nunca esquecerei este gesto maravilhoso de todos vocês, Deus lhes abençoe a todos; Os pequenos problemas foram resolvidos e eu quero apenas devolver um pouco do que recebi com tanto amor, por isso decidi ajudar o máximo possível no ministério voluntário; 100% caritativos e dispostos para ajudar ao próximo, sempre atentos e serviçais, oferecendo o melhor de suas possibilidades.  


- Não cabe dúvida alguma que nos sentimos muito agradecidos por tudo que recebemos, em todo este tempo, da Pastoral das Migrações e das pessoas que se fizeram responsáveis de nós e que ofereceram um apoio incondicional sem esperar nada em troca e, no meio de tudo, ainda estão ali para dizer: Olá, toma minha mão e aferra-te a Cristo, que tudo vai sair bem. Nós esperamos poder contribuir algum dia com a pastoral por tudo que fizeram por nós. Ajudar a nosso próximo, recordando que nós algum dia estivemos em situações similares e não gostaríamos que mais pessoas passassem pelo mesmo.


PERGUNTA  2: - Que tipo de ajuda você precisaria agora para a continuidade de seu processo de integração com a comunidade onde mora?


Nas suas respostas, os pedidos que se repetem fazem alusão a não perder o contato e a amizade, a continuar fazendo parte das comunidades, a contar com apoio para reunificar sua família, a receber ajuda no estudo da língua. Mas tudo isto sempre unido a palavras de agradecimentos, como segue:


- Seguir sendo parte de todos eles como família. Damos graças a Deus e a todos por


terem estado sempre ali por nós, incondicionalmente, desde a nossa chegada até hoje;  Que nunca se perca a comunicação e que contem comigo para qualquer serviço e oferecer uma mão amiga; Só precisaria não perder o contato com vocês para conservar a amizade; O apoio seria ajudar a reencontrar com minha família; Dentro de pouco vai vir meu filho e vou precisar de ajuda para  uma escola para ele; Ter  aulas de português seria de grande ajuda para que fluía a comunicação e a integração com as pessoas, para conhecer e dar-nos a conhecer; Agradeço a Deus por esse apoio.  Vocês não apenas se comprometeram conosco, mas nos acompanharam em todas as etapas que damos e não acrescentaria mais. Obrigado por tudo.


COMO UMA SEMENTE DE MOSTARDA – (Mt 13,31).


A acolhida das 20 pessoas imigrantes, na Arquidiocese, pode ser entendida como uma semente que, lançada na terra, germina e se multiplica. Pois os imigrantes, fortalecidos com a acolhida imediata nas paróquias, o acompanhamento de sua caminhada e o apoio com vistas à integração, fez com que superassem mais rapidamente certas  fragilidades e conquistassem maior segurança.


Uma das consequências desta realidade foi o início, quase imediato, da reunificação familiar que começou em menos de três meses depois da chegada do grupo, ou seja, em janeiro 2020 com uma pessoa. Depois vieram pais, esposas/os, filhos, irmãos e atualmente já vieram a Passo Fundo e se reagruparam aproximadamente 25 pessoas com as famílias do grupo inicial, além de amigos e conhecidos que também receberam acolhida dos mesmos.


Toda esta mobilidade sempre esteve se articulando com a Pastoral das Migrações. Aos primeiros 20, como já é conhecido, se ofereceu uma acolhida direta e um acompanhamento continuado, segundo as necessidades de cada um e as possibilidades da pastoral e dos voluntários. Aos familiares que chegaram num segundo momento também se oferece ajudas em alimentação, roupas, utensílios domésticos e outros, na medida em que a pastoral recebe doações.


O grupo de 20 pessoas cresceu com 2 nascimentos e a acolhida de 25 pessoas familiares, somando um total 47 pessoas. Das 20 pessoas do início, 12 permanecem em Passo Fundo, embora todos tenham mudado de residência, dos que estavam em Gentil, 4 moram em Marau e 4 emigraram para Santa Catarina.


Apesar das duras causas que obrigam a emigrar, parece confirmar-se o que diz Khalil Gibram, afirmando:- “Considero-me estrangeiro em qualquer país, alheio a qualquer raça. Pois a terra é minha pátria e a humanidade toda é meu povo”. Para concluir, lembramos uma  afirmação do Papa Francisco, dizendo que “A Igreja de Deus é Universal. Portanto não é estrangeira para nenhum povo”.   


Norma Kleinubing, mscs
Coordenadora da Pastoral Arquidiocesana das Migrações 


Luiz Costella
Coordenador Fundo de Solidariedade Arquidiocesano


 


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