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01.Abr - Artigo 5 - O TEMPO PASCAL: “O Ressuscitado vive entre nós!”
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Artigo 5 - O TEMPO PASCAL: “O Ressuscitado vive entre nós!”


Na continuidade de nossos estudos sobre os Cadernos do Concílio Vaticano II acerca da Constituição Sacrosanctum Concilium, vamos adentrar na temática do forte Tempo Litúrgico que iniciamos: o Tempo Pascal. Como vimos nos últimos artigos, ao celebrar o Tríduo Pascal (Quinta, Sexta e Sábado Santos), celebramos em três dias, de forma articulada e unificada, o tríplice conteúdo do Mistério Pascal: Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus. Sabemos que tudo encontra sua origem e o seu termo neste Mistério. Existe, de fato, um momento fundamental na história da humanidade em que tudo mudou: aquela manhã em que um homem ressuscitou! Não para voltar a morrer, mas para viver eternamente! A partir daquele momento, a morte não era mais a palavra definitiva sobre o destino humano, mas o início de uma nova existência. Ao longo do tempo, a Igreja tomou consciência do valor fontal do Mistério Pascal de Cristo, que se coloca no centro da experiência de fé e da celebração dos fiéis. Sendo o centro da fé, precisamos compreender mais para celebrar melhor este acontecimento único e singular.


            Muitos cristãos sempre perguntam: por que a data da Páscoa não é fixa como a do Natal? Como é escolhida a data da Páscoa? Sendo que a primeira referência é a Sagrada Escritura, nela encontramos os fundamentos para tais questões. Em Êxodo capítulo 12 temos a descrição da primeira celebração da Páscoa judaica, antes da saída do Egito. No relato, Javé diz à Moisés: “Este mês será para vós o início dos meses [...] Aos dez deste mês cada um tomará para si um cordeiro por família [...] É assim que devereis comê-lo: com os rins cingidos, sandálias nos pés e vara na mão; comereis às pressas: é uma páscoa [...] Vós observareis este dia em vossas gerações, é um decreto perpétuo” (Ex 12,1.3b.11.17b).


No antigo calendário judaico, o ano tinha como o primeiro mês aquele no qual iniciava a primavera (correspondente a março ou abril) no hemisfério norte. Sendo que Jesus ressuscita “no primeiro dia da semana” e durante a festa da Páscoa, compreende-se que seja um domingo da primavera. Com este dado, no ano de 325 d.C., o Concílio de Niceia definiu que a Páscoa cristã aconteceria sempre no primeiro domingo após a primeira lua cheia do equinócio de primavera do hemisfério norte (o que para nós, no hemisfério sul, é o primeiro domingo após a lua cheia do equinócio do outono). Além do mais, na Igreja primitiva, o mistério pascal era celebrado não só nos três dias do Tríduo, mas também nas sete semanas seguintes, ou seja, por cinquenta dias, como recorda o termo grego pentecostes.


Hoje, os cristãos são chamados a celebrar os cinquenta dias que sucedem o Domingo da Ressurreição até o Domingo de Pentecostes “com exultação e alegria, como um único dia de festa, aliás como o grande domingo” em que a Igreja se alegra, com o cântico do Aleluia, pela vitória do Senhor sobre a morte e pela vida nova que a participação no Mistério Pascal fez germinar nos fiéis. Não é por acaso que os domingos desse período não se chamam domingos “depois da Páscoa”, mas sim domingos “da Páscoa”. Ou seja, é o tempo repleto da presença do Ressuscitado.


            A Liturgia do Tempo Pascal nos leva a rezar pedindo ao Pai poder viver “com ardor este dias de júbilo em honra do Senhor ressuscitado”, exortando-nos também a reconhece-lo em nosso meio, superando o medo do tempo que tudo devora e as situações de precariedade e vulnerabilidade que nos prendem na solidão e no desânimo. Deste Tempo, brota uma mensagem de esperança que se destina ao tempo presente. Por isso, o período pascal é um tempo de renascimento e de comunhão fraterna. É tempo de renascimento, pois assim como na primavera tudo volta à vida, este Tempo provoca um despertar da consciência do homem para que volte a pertencer a Cristo e a se reconhecer como criatura de Deus. A presença do Ressuscitado em meio a seus discípulos é fonte de vida nova, vida inaugurada pela Páscoa, pela qual a eternidade flui de volta ao tempo presente, confiando-o de nova vitalidade.


            Mas, como tempo de comunhão fraterna, o Tempo Pascal (no dia seguinte à Ressurreição do Senhor) reúne a comunidade cristã, para escutar a Palavra da vida. O Ressuscitado educa os Apóstolos, por meio das aparições, a compreender os novos sinais de sua presença no mundo. Ao unir as irmãs e os irmãos no amor, o Senhor os torna um só coração e uma só alma.


            Vivendo estas dimensões deste Tempo, temos a oportunidade de conservar, com a graça do Espírito Santo, um olhar capaz de ver o Mistério; olhos novos para enxergar a presença do Ressuscitado. Tal presença é vista, de modo especial, em três lugares: nas Escrituras, na Eucaristia e na Igreja. Antes de tudo nas Escrituras, porque é Ele quem fala quando a Palavra de Deus é anunciada na Igreja. A Palavra, proclamada na assembleia litúrgica, não é letra morta, mas Palavra viva que revive no Cristo vivo. A Liturgia da Palavra é, portanto, um diálogo interpessoal com Cristo, Palavra viva. O povo responde com cânticos a Deus que fala (por meio das leituras) e a Ele adere com a profissão de fé. O Tempo Pascal quer fazer arder o nosso coração, como os discípulos de Emaús, na escuta atenta da Palavra da Salvação.


            Vemos, ainda, o Ressuscitado na Eucaristia, pois a Missa renova o evento da Cruz ao celebrá-lo, e celebra-o ao renová-lo. São Paulo VI afirma na Encíclica Mysterium Fidei que “no Mistério Eucarístico está representado de modo admirável o Sacrifício da Cruz consumado de uma vez por todas no Calvário”. Ao usar a palavra representar o Papa deseja destacar o sentido profundo deste termo: re-presente, ou seja, tornar novamente presente. Graças ao Sacramento da Eucaristia, tornamo-nos mistericamente contemporâneos do evento Pascal; o evento se torna presente a nós e nós ao evento.


            Por fim, quando participamos juntos da mesma Eucaristia, vemos o Ressuscitado na Igreja. Como nos recorda São Paulo, não é possível reconhecer a Cristo no seu Corpo eucarístico, sem ser capaz de reconhece-lo no seu Corpo eclesial. Além do mais, a expressão privilegiada do seu Corpo eclesial são principalmente os pobres e os mais necessitados de caridade.


O Mistério Pascal, centro e fundamento do ano litúrgico, sintetiza toda a história da salvação: a que precede a Encarnação e a que vem depois da Ascensão até à vida definitiva de Cristo. Cada um dos mistérios da vida de Jesus não são independentes uns dos outros, mas estão unidos pelo Mistério Pascal que os vincula: assim, por exemplo, o nascimento do Senhor recebe dele o seu significado salvífico; a Encarnação do Filho de Deus refere-se à Paixão e à Redenção. Todos os mistério e todos os acontecimentos da vida de Jesus, evocados ao longo do ano litúrgico, recebem pleno significado a partir da Páscoa. No Círio, símbolo da luz que é o Corpo glorioso do Ressuscitado, a Igreja não só grava os sinais da Paixão de Cristo, mas há séculos grava o Alfa e o Ômega, os sinais do tempo do seu início ao seu fim, afirmando que Cristo é o Senhor do tempo.


A Páscoa não é simplesmente uma festa entre as outras, mas é a “festa das festas”, a “solenidade das solenidades”. Pois é neste Tempo Litúrgico, impregnado da presença do Ressuscitado, que o tempo da humanidade é envolvido com o impulso protetor, a fim de que a confiança não esmoreça, a esperança não se abale e a caridade não se renda. Na verdade, podemos caminhar pelas estradas da vida graças à esperança que nos permite manter uma postura de “ressuscitados” e olhar para o futuro com confiança. Para caminhar como viajantes rumo a um destino é importante sentir-se amparado pela esperança. E a esperança para nós, cristãos, tem um nome: chama-se Jesus Ressuscitado!



Fonte: Pe. Joelmar de Souza

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