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07.Jun - Art 4 - Um modelo econômico que privilegie o ser humano integral
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Art 4 - Um modelo econômico que privilegie o ser humano integral

 


Quando começamos a nos aprofundar nas ideias do Papa Francisco para tratar do que ficou conhecido, no Brasil, como Economia de Francisco e Clara, percebemos uma preocupação evidente com o desenvolvimento integral do ser humano.


Desde o primeiro movimento, que foi a convocação do Sumo Pontífice em 01 de maio de 2019, focada, especialmente, para os jovens economistas, empresários e empresárias do mundo inteiro, isto ficou explícito.


Porém, para procurarmos compreender qual é a visão de Francisco para motivar a criação de um novo modelo econômico mundial, o qual possa privilegiar, de verdade, o ser humano integral, temos que acompanhar o discurso do Papa do dia 21 de novembro de 2020.


Este discurso ocorreu durante o primeiro encontro mundial para tratar, aprofundar e definir o que passou a ser chamada de Economia de Francisco. Aliás, naquele período o encontro que tinha previsão de reunir, presencialmente, pessoas do mundo inteiro, precisou ocorrer de forma virtual. Isto porque a pandemia de Covid-19 mudou os planos que previam que as pessoas se encontrassem na cidade de Assis (Itália).


Um modelo econômico que privilegie o ser humano integral


Muito importante conhecermos mais a fundo as ideias do Papa Francisco para que não fiquemos com a falsa impressão de que ele defende o capitalismo, o comunismo, o socialismo, a teoria econômica neoliberal ou qualquer outra.


As suas ideias vão muito além de modelos ou teorias já instituídos ou que assim buscaram ser. Naturalmente, nenhum deles é totalmente bom ou totalmente ruim.


Ocorre que, e não é difícil de perceber, que os modelos econômicos dominantes ou não, infelizmente, geraram em maior ou menor grau uma cultura de descarte do ser humano. Isto fica evidente quando para nós, hoje, parece normal que algumas pessoas tenham mais direitos que outras. Esta é a velha máxima do “eu fiz por mim”, “eu fiz por merecer”.


A grande questão não é se fez ou não, se mereceu ou não. Porém, o ponto fundamental é: será que todas as pessoas tiveram as mesmas condições de fazer o que você fez? Será que todas as pessoas, a partir da sua liberdade, têm condições de escolher os seus caminhos de desenvolvimento? Será que todas as pessoas têm condições dignas de alimentação, moradia, educação para que possam fazer escolhas verdadeiramente livres em sua vida?


Esta reflexão nos faz lembrar de algo que o próprio Papa Francisco traz em sua carta de novembro de 2020, ao relembrar São Paulo VI, que disse: «O desenvolvimento não se reduz a um simples crescimento econômico. Para ser autêntico, deve ser integral, quer dizer, promover todos os homens e o homem todo [...] — todo o homem e o homem todo! – não aceitamos que o econômico se separe do humano; nem o desenvolvimento das civilizações em que ele se incluiu. O que conta para nós é o homem, cada homem, cada grupo de homens, até chegar à humanidade inteira».


Aliás, um parênteses, pois o uso aqui da denominação “homem”, não está ligado ao gênero masculino. Isto porque este documento precisa ser lido a partir do contexto da sua época, ou seja, ele foi apresentado ao mundo em 26 de março de 1967.


O mais interessante é perceber que este documento de São Paulo VI (Populorum progressio), foi escrito a quase 60 anos e pouco se fez na direção de cuidar do ser humano de forma integral.


O que podemos compreender como ser humano integral?


Podemos ter compreensões diferentes do que é o ser humano integral, porém para a Igreja Católica não é muito difícil de responder.


Aliás, como cristãos podemos inferir, sem grandes teorias, que o ser humano é formado por corpo, alma e espírito, ou seja, carne, alma que dá vida e o espírito que mora em nós e nos liga a Deus.


Porém, é importante compreendermos mais a fundo como os cristãos católicos, a partir da Doutrina Social da Igreja, devem reconhecer o ser humano na sua integralidade.


Vejamos. Para a Doutrina Social da Igreja o ser humano em sua complexidade, tem diversas dimensões, dentre elas: biofísica, social, afetiva, intelectual, volitiva, libertária, moral, sexual, econômica, política, cultural, espiritual, lúdica etc.


Não vamos aqui entrar no detalhe de cada uma das dimensões, pois cada uma tem a sua extensão e complexidade (maior ou menor) próprias. De qualquer forma, percebamos que uma das dimensões reconhecidas pela Igreja é a própria dimensão econômica, ou seja, todas as pessoas deveriam ter condições de viver economicamente bem. Não que tenhamos que ter todos a mesma remuneração, os mesmos benefícios sociais ou os bens materiais. Não é isto que estamos nos referindo aqui, pois a Igreja compreende cada pessoa na sua singularidade. Somos únicos e irrepetíveis.


Assim, o nosso papel enquanto cristãos, que buscam conhecer e praticar um pouco dos princípios da Economia de Francisco e Clara, é tentar facilitar o que estiver ao nosso alcance para que todas as pessoas tenham a dignidade mínima garantida.


 


Fonte: Jocelito André e Valeska Salvador

Economia de Francisco e Clara

Economia de Francisco e Clara

Jocelito André e Valeska Salvador. Empresários e Ministros Extraordinários da Comunhão, da Catedral Arquidiocesana Nossa Senhora Aparecida de Passo Fundo.

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