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12.Nov - A via da beleza na catequese
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A via da beleza na catequese

Neste tempo de pandemia que vivemos, muitos se utilizam da arte para transmitir, para anunciar uma mensagem. A arte é um modo de servir a beleza. A arte cristã existe para ajudar no processo de formação, que envolve o encontro com a beleza. Na catequese não é diferente. A catequese tem a grande missão de anunciar o Evangelho, de aprofundar os conteúdos da fé. Importante perceber que no processo de Iniciação à Vida Cristã, da formação contínua e permanente, seguir a via da beleza nos coloca diante do Mistério, nos convida à experiência com o Mistério. E, esta prática do encontro, do aprofundamento inspira novas descobertas de encantamento.


Atualmente vivemos uma crise da arte, a crise do olhar, cheio de imagens, de informações que distraem e tiram o foco. Na catequese, no exercício do ministério catequético, tratar da via da beleza é retratar a dinâmica do olhar, da contemplação, da educação dos sentidos, porque a beleza sugere uma discussão, uma pedagogia que atinge, circunda a pessoa na inteireza do seu ser. Inteireza esta, que contempla a vivência que assimila a ritualidade, a teologia e a espiritualidade. São os “três pontos”, assim chamados na liturgia, de realizar a ação simbólica ritual. Podemos imaginar como pontas de um triângulo, chamados de corpo/mente/coração, ou  fazer/saber/saborear, ou ainda agir/pensar/sentir. O que precisa é a harmonia entres os três. No centro do triângulo, está a atuação do Espírito Santo, que nos leva a realizar a ação ritual espiritualmente. Portanto, o trabalho catequético que atua através da “via da beleza”, realiza a experiência da ação ritual na inteireza do ser, com todas as potencialidades biológicas, psíquicas, cognitivas, afetivas, espirituais em profunda unidade e inter-relação.


O papa Francisco, na Evangelii Gaudium, fala da importância da via da beleza na catequese, na evangelização, dizendo que ao se falar e apresentar Jesus, é preciso lembrar que Ele é bom, Ele é belo, é verdadeiro, é justo. Então a beleza deve estar dentro deste processo de educação da fé, em todos os momentos. Devemos sentir isso e agir como tal.


No cenário da pandemia temos um exemplo de beleza revelado pelo papa Francisco, no dia da bênção Urbi et Orbi, em Roma. Ali está uma cena como sinal de beleza do anúncio do evangelho. O papa entra numa praça vazia. A beleza, na catequese e na evangelização, necessita, convida, a ambientes vazios, ao esvaziamento, isto é, um ambiente onde o essencial é Cristo, não lotado, empilhado de coisas. O olhar tem que focar no essencial. Sua entrada na praça vazia, com o olhar de todo mundo voltado para ele, é sinal de um catequista, mistagogo, que na atitude de caminhar, conduz todos pela via da beleza. Ali anuncia a Palavra de Deus.  


O anúncio do Evangelho é manifestação da beleza
Segundo o Padre Jordélio, “na catequese, no nosso trabalho, lembrar que a Sagrada Escritura, o anúncio do Evangelho é manifestação da beleza na vida do(a) catequista, porque ali, tem Cristo falando e preenchendo o vazio. Na ocasião, na celebração Urbi et Orbi, o Papa estava diante de dois ícones, uma imagem, crucifixo de São Marcelo e um ícone de Nossa Senhora, mostrando que nossos olhos se voltam num momento caótico, num momento de sofrimento, para a iconografia, uma expressão de arte, carregada de sentido histórico, teológico, espiritual, artístico. Ali vimos uma manifestação da beleza. Cabe aos catequistas, a partir deste exemplo, entender que a via da beleza na catequese, envolve gestos, palavras, silêncio, ambiente, música, poesia, arquitetura, escultura, pintura. Todas as artes precisam entrar no trabalho que é feito em nossas comunidades diariamente. A beleza é a expressão da comunhão, da fé profunda e da vida fraterna, não estávamos fisicamente presentes, mas unidos na fé e na esperança”.   


O Novo Diretório para a Catequese tem alguns pontos interessantes que nos faz entender Deus como fonte de esplendor e beleza, pois Deus é a essência de toda a beleza, Ele nasce e Ele brota toda a beleza. A beleza também se concentra na pessoa de Jesus. Não foca no cético, não é belo aquilo que é simplesmente perfeito, que segue padrão de estética grega. Mas a beleza do universo da catequese, da evangelização está para além da estética, está para além daquilo que é o perfeito dentro dos padrões que conhecemos de beleza.


É importante entender que a via da evangelização é a via da beleza, porque nos coloca diante de uma presença e, essa presença nos cala, essa presença nos faz reencontrar o sentido para a nossa vida. A beleza nos coloca diante de uma pessoa. A beleza é uma pessoa, é Jesus Cristo. Em comunhão, sigamos unidos no caminho da via da beleza, caminho do seguimento a Jesus Cristo. Quem encontrou a beleza, encontrou Jesus Cristo.



* Texto baseado na Live do Pe. Jordélio Siles Ledo CSS (Superior provincial dos Estigmatinos – Prov. Santa Cruz–Assessor de Catequese–Pesquisador da PUC/RIO)


Equipe Arquidiocesana de Catequese

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A Equipe Arquidiocesana de Catequese é formada por leigos e religiosos que, além de coordenar os processos de catequese na Arquidiocese, se responsabilizam pela Página Catequética - artigo publicado mensalmente no Jornal Presença Arquidiocesana e replicado nesta seção.

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