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11.Jun - Sapeco de pinhão às gerações!
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Sapeco de pinhão às gerações!


Sapeco de pinhão às gerações!


 


Tenho apreço por Araucárias. São árvores frondosas, em suas peculiaridades, com beleza inerente, permitem-nos degustar apetitosos pratos a partir de suas sementes/frutos, etc. Pertencentes à família das coníferas, encontram-se em regiões tropicais e sua gênese data, aproximadamente, há 200 milhões de anos. Seu fruto, a pinha, abriga o pinhão, sua semente. Logo, no “coração” da pinha encontram-se reunidas as apreciadas iguarias, os pinhões, gérmen responsável por sua sobrevivência no ecossistema.


É interessante observar que as araucárias, para reprodução, contam com auxílio do vento, pois, este transporta o pólen das plantas masculinas às plantas femininas, entre agosto e outubro, ocorrendo assim a polinização, chamada anemófila. Sendo a Araucária (araucaria angustifolia) uma gimnosperma, após a fecundação do óvulo, este transforma-se em semente. A família Araucariaceae, a saber, em seu gênero de coníferas, contém 19 espécies.


O processo de maturação das sementes compreende um ciclo de quatro anos, considerando que a Araucária precisa, em condições naturais, aproximadamente 20 anos para produzir suas primeiras pinhas. Sabe-se, ademais, que apenas 0,05% das sementes maduras sobrevivem e germinam. Para perdurar a Araucária necessita de solo fértil, ambiente favorável, auxílio de aves e outros animais terrestres capazes de espalhar suas sementes. Após a germinação seu crescimento é lento; cerca de 7 cm ao ano, nos primeiros ciclos. Após alguns anos acelera-se o desenvolvimento e a árvore atinge entre 15 e 35 metros de altura, alcançando longevidade média de 300 anos, podendo estender-se aos 500 anos.


Na América do Sul, a Argentina, o Paraguai, o sul brasileiro, as regiões elevadas e frias de São Paulo, de Minas Gerais e a região serrana do Rio de Janeiro, são guardiãs das araucárias, compondo a Mata Atlântica. Infelizmente, no último século, a floresta de araucárias que cobria 200 mil km², sofreu uma redução de 97%, resultado devido, principalmente, à exploração humana. Papa Francisco, a partir da Carta Encíclica Laudato Si, conclama toda humanidade ao cuidado da Casa Comum, o meio ambiente e, inclusive, questiona: “Que mundo queremos deixar às nossas crianças e aos nossos jovens?” 


Para exemplificar, à historicidade da experiência geracional e o cuidado do meio ambiente, reverbero uma singela memória de infância que, oportunamente, repete-se na coleta e consumo das sementes de Araucária. Na região sul, às famílias gaúchas, dentre os meses de abril e junho, é costume degustar, por diferentes modos, o pinhão. Na coleta familiar é salutar, à tradição, reunir acículas secas (grimpas), atear fogo e, ao pé do pinheiro, cozer os pinhões; popularmente chamado “sapeco de pinhão”. Aprendizado proveniente, certamente, dos povos originários e que se transmite de geração à geração. Na língua indígena, para constar, a Araucária é conhecida como Curi.


No peregrinar da vida, guardar o planeta é cuidar nosso lar, nossa cultura, nossa história, ao trabalhar juntos e juntas na construção de um presente capaz de gestar futuro às gerações vindouras, via sustentabilidade, fraterna inclusão e uma economia ecológica, à luz do Evangelho e da justiça, em vista do bem comum (CDSI, 164 - 184). 


Em 2021, ao lançar a Plataforma "Laudato Si", propondo um estilo de vida alternativo, ponderou Francisco: “o nosso egoísmo, a nossa indiferença e os nossos estilos irresponsáveis estão ameaçando o futuro dos nossos jovens! Assim, renovo o meu apelo: cuidemos da nossa mãe Terra, superemos a tentação do egoísmo que nos faz predadores de recursos, cultivemos o respeito pelos dons da Terra e da criação; inauguremos um estilo de vida e uma sociedade finalmente ecossustentável: temos a oportunidade de preparar um amanhã melhor para todos”.


Deseja-se, por este viés, no percurso dos próximos 7 anos, guiar famílias, comunidades paroquiais e diocesanas, escolas, universidades, hospitais, empresas, grupos, movimentos, organizações e institutos religiosos, à assumir um estilo de vida sustentável. Francisco encoraja-nos quando diz: “há esperança. Todos podemos colaborar, cada um com a própria cultura e experiência, cada um com as próprias iniciativas e capacidades; para que a nossa mãe Terra retorne à sua beleza original e a criação volte a brilhar novamente segundo o plano de Deus”.


Concluo, salvaguardando sementes, ao esperançar e nutrir de coragem o coração à missão de ser sinal às juventudes, pois, parafraseando Pedro Casaldáliga, no final do meu caminho me dirão: - E tu, viveste? Amaste? E eu, sem dizer nada, abrirei o coração cheio de nomes”, plântulas às gerações vindouras que anseiam degustar em seu viver a milenar experiência, o sapeco de pinhão! 



Padre Leandro de Mello

Padre Leandro de Mello

Pároco na paróquia São Francisco de Assis e Assessor da Pastoral da Juventude

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