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27.Ago - Leigos e leigas: missão cristã fundada no Batismo
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Leigos e leigas: missão cristã fundada no Batismo


Vocês formam um sacerdócio santo, povo escolhido por Deus (cf. 1Pd 2,4)


O mês vocacional convida, nesta quarta semana, refletir e rezar a vocação dos leigos e leigas, incorporados a Cristo pelo batismo, protagonistas de ministérios e serviços na comunidade e na sociedade, a serviço do Reino de Deus. Compreende-se esta vocação como graça divina, disposta por Deus para a humanidade através da Igreja, que se enriquece e se fortalece na sua missão, com esses serviços e ministérios, acolhendo a diversidade de dons na força do Espírito Santo (1Cor 12,4ss).  A Constituição Dogmática Lumem Gentium afirma que são chamados por Deus para que, exercendo seu próprio oficio, guiados pelo espírito evangélico, a modo de fermento, contribuam para a santificação do mundo e assim manifestem Cristo aos outros, especialmente pelo testemunho de sua vida resplandecente de fé, esperança e caridade (cf. LG 31.)


Todos os batizados, pela regeneração e unção do Espírito Santo, são consagrados como casa espiritual e sacerdócio santo (cf. LG 10). Fazem parte do Povo de Deus. Isto é dom e responsabilidade, oferta divina e acolhida humana de valorizar esta oferta porque é na missão que a identidade cristã se reforça.   Os diferentes ritos presentes na celebração do Batismo, junto com a incorporação a Cristo, fazem da pessoa, participante da missão da Igreja através do mergulho na vida cristã em Deus Pai e Filho e Espírito Santo.


Assim o batismo confere uma identidade, tornando a pessoa cristã e comprometendo-a com a missão comum de todos os cristãos. Aqui está o fundamento da missão dos leigos e leigas, pois, participantes do múnus de Cristo sacerdote, profeta e rei, participam ativamente na missão da Igreja (cf. AA 10), buscando permanentemente responder com fidelidade o mandato deixado por Jesus de fazer todos os povos seus discípulos e batizando-os em nome do Pai, e o do Filho e do Espirito Santo e ensinando tudo o que foi ordenado (cf. Mt 28, 14-20).  Segundo São João Paulo Segundo, na Exortação Christifideles laici, sobre a vocação e missão dos leigos na Igreja e no mundo, em virtude da comum dignidade batismal, o fiel leigo é corresponsável, juntamente com os ministros ordenados e com os religiosos e as religiosas, da missão da Igreja (CfL 15).


Salienta-se que o ponto de partida da missão, a condição de batizados e, portanto, membros do Povo de Deus, sugere a missão não só na vivência interna eclesial pela formação, vida litúrgica e demais atividades, mas também na sociedade ou no mundo (cf. Jo 17,18), como discípulos e discípulas de Jesus, dispostos a interagir com as alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias do ser humano, sobretudo dos pobres e de todos aqueles que sofrem (cf. GS 1).


O compromisso evangelizador tem uma perspectiva interna, via cuidado pastoral ordinária (EG 14) e, com a mesma importância, externa, contribuindo para que a Igreja aja na sociedade na perspectiva transformadora (EN 18). Em ambos os processos, não excludentes, mas complementares, destacam-se as mulheres que, segundo o Papa Francisco, têm contribuído com uma sensibilidade, uma intuição e certas capacidades peculiares, que habitualmente são mais próprias das mulheres que dos homens (cf. EG 103).


O Documento de Aparecida afirma que a missão do laicato acontece através de homens e mulheres da Igreja agindo no coração do mundo, e homens e mulheres do mundo agindo no coração da Igreja (cf. DAp 209), no compromisso de transformação de realidades para a criação de estruturas justas segundo os “critérios do evangelho” (DAp 210).  Ressalta-se a última expressão porque a maior referência do agir eclesial, através dos seus diferentes ministérios, é o Evangelho de Jesus Cristo e qualquer manifestação pública desconectada deste fundamento é equivocada e vai contra a proposta de Jesus.


A Igreja conta com estas pessoas comprometidas com sua com sua missão, mas também assume algumas responsabilidades muito importantes que hoje se fazem desafios.


Primeiro consiste em superar a tentação da minoridade do papel dos leigos e leigas nas atividades eclesiais. Pelo batismo, todos são incorporados a Cristo como membros do Povo de Deus. Os diferentes ministérios e, especificamente os ministérios ordenados, tem razão de existir enquanto serviço à missão eclesial. Nesta missão interagem com os leigos que em cada campo de evangelização exercem com mandado eclesial ministérios e serviços. A diversidade de ministérios e serviços é o caminho de santidade aberto a todos e, neste caminho, as diferenças são compreendidas como fator de enriquecimento, jamais de desigualdade ou diminuição da importância de um ou outro.


 A segunda tarefa diz respeito à formação. A Igreja deve cuidar dos seus agentes de pastoral. Jesus dedicava tempo para a formação do discipulado e a Igreja assume este princípio. Segundo o Documento de Aparecida, para que os leigos e leigas cumpram sua missão com responsabilidade pessoal necessitam de sólida formação doutrinal, pastoral, espiritual além do acompanhamento em vista de uma missão sintonizada com os valores do Reino (Cf. DAp 212). 


Em terceiro lugar vê-se a necessidade do cuidado espiritual dos leigos e leigas. Acontece no dia a dia da pastoral ordinária da Igreja, mas exige também momentos especiais, quando se faz necessário subir a montanha para rezar e refletir a missão. O Papa Francisco considera isso tão importante que dedicou o capítulo V da Evangelii Gaudium a esta dimensão.  Segundo ele não é possível abrir mão do pulmão da oração e do cuidado espiritual dos agentes de pastoral. Implica em cuidar dos que cuidam da missão da Igreja no mundo.


Tem se dito que os leigos e leigas são hoje o sal da terra e a luz do mundo (cf. Mt 5,13-16). Realmente o são e têm ajudado muito a Igreja na obra evangelizadora. São os tantos santos ao pé da porta (GE 8) cada vez mais necessários em nossos dias, a riqueza da nossa Igreja, um tesouro a ser cuidado com zelo, carinho e atenção.



Padre Ari Antônio dos Reis

Padre Ari Antônio dos Reis

Pároco na paróquia Nossa Senhora Aparecida (Catedral) em Passo Fundo e professor na Itepa Faculdades

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