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21.Mai - DA CRISE CLIMÁTICA À RESILIÊNCIA CLIMÁTICA
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DA CRISE CLIMÁTICA À RESILIÊNCIA CLIMÁTICA

 


Em 24 de maio de 2015, na Solenidade de Pentecostes, nosso amado Papa Francisco apresentou a sua Encíclica Laudato Si (Louvado Sejas). Esta, exortava a todos, independentemente de credo ou religião, “aos homens e mulheres de boa vontade”, a voltarem seus olhares para a nossa Casa Comum.


Passados quase 09 (nove) anos, ainda estamos “engatinhando” no seu estudo, entendimento e aceitação deste novo estilo de vida que o Papa Francisco nos convida.


Sobre a Laudato Si, vamos tecer muitas linhas ao longo desta coluna. Porém, hoje, queremos lhe convidar a refletir sobre alguns aspectos iniciais que estão presentes nesta Encíclica, mas em especial ao momento que estamos vivendo hoje em nosso querido RS.


Louvado sejas, meu Senhor, pela nossa irmã a mãe terra, que nos sustenta e governa


No cântico de São Francisco de Assis, o qual serviu como inspiração para a construção da Encíclica Laudato Si, fica evidente essa relação simbiótica entre o ser humano e a natureza, ou nas palavras do Papa: nossa Casa Comum. Aos olhos do santo de Assis, e aliás, o que deveria refletir no coração de cada homem e mulher de hoje, há uma pertença e um amor tão grande, que ora chama a terra de irmã, ora de mãe.


Contudo, o que nossa atualidade demonstra é que além de não tratarmos, este bem precioso, dado por Deus a todos nós, como uma “mãe e/ou irmã”, ainda a estamos confrontando como uma inimiga a ser combatida, sugada e destruída para um “bem maior”.


Verdadeiramente, “a natureza está sofrendo em dores de parto”, como nos recorda São Paulo em sua carta aos Romanos. Contudo, se por um lado as preocupações mundiais são escassas ou mesmo inexistentes, por outro o Papa Francisco continua a insistir e motivar a nos responsabilizarmos por este tema, que a cada ano se agrava mais e mais.


Neste sentido, no último dia 16 de maio, em audiência na Sala Clementina do Vaticano, o Papa recebeu mais de 200 participantes, de várias partes do mundo, para um encontro promovido pelas Pontifícias Academias das Ciências e das Ciências Sociais, com o tema “da crise climática à resiliência climática”, no qual afirmava: “... os dados sobre as mudanças climáticas pioram a cada ano e portanto é urgente proteger as pessoas e a natureza”. Ainda, questionou a todos os presentes, e certamente a todos nós: “Estamos trabalhando em prol de uma cultura da vida ou de uma cultura da morte?”


Por fim, o Santo Pontífice teve a clareza e coragem de dizer que temos uma “dívida ecológica” e precisamos reconhecer e trabalhar para mitigar este fato.


Caso queira saber mais sobre este encontro, por favor, clique aqui!


Por que nossa Casa Comum está tão “oprimida e devastada”?


Talvez, uma resposta oportuna é porque nos desconectamos com nosso planeta e no lugar de protegê-lo passamos a dominá-lo.


Quando Deus criou o homem e a mulher a sua imagem e semelhança, Ele o fez administrador de todos os bens terrestres. Tanto que, conforme expresso no livro do Gênesis, coube ao homem colocar o nome nas criaturas. Assim, “consagrou” uma relação de cuidado e proteção entre o ser humano e a natureza.


Contudo, com o passar do tempo, os bens começaram a serem vistos simplesmente como recursos. Então, se são um recurso, devem ser utilizados ao bel prazer das necessidades de subsistência. Além disso, sendo naturais, sempre estarão disponíveis. Dessa forma, o que antes era uma parceria, “bendito seja a irmã terra que me fornece flores e frutas”, hoje é uma algo a ser dominado: como posso fazer que este pouco que tenho, pode me dar o maior retorno financeiro possível?


Este olhar e pensamento destrutivo não vem apenas dos campos, mas das indústrias, dos comércios, dos serviços, enfim, de todos os aspectos econômicos.


Claro que não devemos e não podemos generalizar. Afinal, há uma infinidade de empresários e agricultores que respeitam, protegem e pautam suas ações no bem comum e na sustentabilidade. Porém, precisamos aceitar que há em nosso redor inúmeros exemplos de exploração exacerbada dos nossos ecossistemas.


Negacionismo x Verdade Científica


Para melhor compreender todo este contexto, faz sentido voltarmos ao passado, para entender o presente e já imaginar o futuro.


Queremos fazer um convite para que voltemos aos nossos bancos escolares e nos lembremos das nossas aulas sobre o clima.


Vamos tentar, de uma forma muito resumida demonstrar o que que está acontecendo com nosso Planeta Terra.


Em razão da distância que temos do Sol, apenas pelo calor que emana do mesmo, não conseguiríamos ter vida na Terra, pois nossa água não conseguiria estar em estado líquido, essencial para a vida.


Por isso, temos uma possibilidade de reter o calor em nossa atmosfera. Dessa forma, “sugamos” o que precisamos, mantemos ele dentro do nosso Planeta, e vamos liberando aos poucos, através de gases. Isso é o que chamamos de efeito estufa e é uma forma natural e benéfica para toda a vida no planeta Terra.


Caso, você já tenha visitado alguma estufa de verduras, por exemplo, lembrará que é bem mais quente, e normalmente no plástico, há gotículas de água presente.


Neste processo, a Terra represa o calor, através do gás carbônico, por exemplo, e as plantas, através da fotossíntese, “sequestram” este gás para seu alimento e devolvem em oxigênio que é indispensável para a sobrevivência de todos os seres.


Então, qual é o problema?


O problema é que com a revolução industrial, em especial com o descobrimento dos combustíveis fósseis (carvão, petróleo e gás natural), começou-se a emitir muitos gases tóxicos (GEE), o que gerou o aquecimento global. Pois, estes sedimentos, para liberar sua potente energia, precisam ser queimados e como isso criam um lastro de poluição atmosférica.


Como se isso não fosse o suficiente, ainda há desmatamento ambiental exagerado nas florestas naturais e nas encostas dos rios. Não há planejamento urbano e as extremas desigualdades sociais, “forçam” as pessoas mais pobres e vulneráveis e fixar residência em lugares inapropriados como margens de rios e lagos. Tudo isso, destroem o curso natural do ecossistema e obriga a natureza a encontrar meios para sua sobrevivência.


Essa intervenção humana desenfreada, faz com que aumente a temperatura da Terra, como consequência do aquecimento global. Isso faz com que as geleiras e calotas polares derretam, aumentando o nível de volume de água nos oceanos (ocasionando tsunamis e ciclones com impacto extremos quando atingem o continente) e a temperatura do oceano (prejudicando os corais de recife e toda a vida marinha).


Para se ter uma ideia, hoje o Brasil está entre os cinco maiores poluidores do planeta, sendo o desmatamento a causa principal. Nesta lista estão: Estados Unidos, China, Rússia, Índia e Brasil. Estar nesta lista e posição é vergonhoso para um país subtropical e tão abençoado por uma natureza deslumbrante.


O que a ciência já sabe


Tem-se claro que estamos à beira de um colapso climático e quem vai sair perdendo é o ser humano!


Adiantamos fenômenos climáticos extremos e que a cada ano vão ser piores. Continuando nessa toada, em 2300 a Groelândia não existirá mais, pois estará derretida, e a Amazônia será uma região desértica.


Os negacionistas dizem que tudo isso é mentira e que é natural essas mudanças. Porém, não há como deixar de perceber todos os eventos que estão ocorrendo ao nosso lado e que isso não é normal e muito menos natural.


Não é possível considerarmos aceitável que em setembro de 2023 cidades foram devastadas pelas águas, 50 (cinquenta) pessoas perderam suas vidas e que em menos de um ano quase 90% (noventa por cento) do RS esteja debaixo de água, e dizer que isso é normal do el niño e la niña.


Por que isso aconteceu ao RS?


Essa é uma questão intrigante. Por que, em tão pouco tempo, as águas invadiram nosso Estado, ceifando quase 160 (cento e sessenta) vidas, e destruindo centenas de cidades?


Como isso foi acontecer?


O analista de clima e meio ambiente, Pedro Cortês, entrevistado pelo canal de televisão CNN Brasil, explicou que houve a “tempestade perfeita”.


O Rio Grande do Sul, disse ele, foi atacado por todos os lados e não teve a menor chance de se defender.


As frentes frias vindas do Sul do continente não conseguiram progredir, em razão de uma zona de alta pressão que estava no centro do país. Basta lembrar do calor excessivo que estava em SP nestes mesmos dias. Essa pressão atmosférica, se colocou como uma muralha, forçando toda essa frente fria a ficar em cima do RS.


Então, como essa frente fria não conseguia ir para frente, o oceano atlântico levou essa umidade para o leste indo até a Amazônia, que por sua vez, também não conseguia romper a barreira da região central e por consequência, fazia voltar toda essa umidade para o RS pelo oeste. Dessa forma, o RS estava recebendo umidade de todos os lados, Norte, Sul, Leste e Oeste e não conseguia empurrar, fazendo com que mais chuva caísse no Estado.


O mais triste nesta história toda é que a única certeza que temos, se nada for feito, é que não será um evento isolado, mas permanente em nossas vidas e a cada mais extremo que o anterior.


Portanto, a natureza vai ser resiliente e vai encontrar formas de continuar. Porém, nós seres humanos, não conseguiremos nos adaptar e os mais pobres serão sim os mais afetados e impactados.


Todavia,  apesar de toda essa tragédia, aquece o coração ver todas as boas ações de generosidade que estão acontecendo, seja pelos governos, por outros países ou por todos os voluntários. Recentemente, em entrevista, o poeta Fabrício Carpinejar comentou que tem certeza absoluta, que não tem um gaúcho que não ajudou de alguma forma. Temos certeza que tal afirmação é verdadeira! Aliás, ainda é possível fazer doações de alimentos, kits de higiene, ou PIX para a CNBB, na chave CNPJ 33685686001041.


Também, queremos trazer a brilhante iniciativa da Catedral Arquidiocesana Nossa Senhora Aparecida,  que no último dia 15 fez uma ação inter-religiosa, para juntos orarmos por todos os afetados pela enchente.  Foi um momento belíssimo! Caso deseje relembrar, acesse aqui.


Esta é a hora e é agora, como nos lembra o evangelista João, de abraçarmos nossa Casa Comum e fazermos um pacto global de mudanças drásticas de comportamento e nas formas de matriz econômica. Caso contrário, estaremos fadados à extinção de nossa espécie, sem qualquer visão e pensamento apocalíptico.


 


 


 








Simbiose: Relação íntima e benéfica de diferentes seres que coabitam.


Combustíveis fósseis: decomposição natural de animais mortos há milhares de anos que se tornaram um sedimento. Como seu processo é lento e sua reciclagem pode demorar milhares de anos para acontecer, são ditos como não renováveis.




 


Fonte: Jocelito André e Valeska Salvador

Economia de Francisco e Clara

Economia de Francisco e Clara

Jocelito André e Valeska Salvador. Empresários e Ministros Extraordinários da Comunhão, da Catedral Arquidiocesana Nossa Senhora Aparecida de Passo Fundo.

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