Padroeira da Arquidiocese de Passo Fundo

Em meados do século XIX, Passo Fundo se tornara caminho obrigatório dos tropeiros. Vindos de São Paulo, interiorizavam-se pelas terras gaúchas em busca do gado “bravio”, disperso nas vastas planícies do noroeste e nordeste do Estado. Qual seria o destino desses rebanhos? Provavelmente, a feira de Sorocaba. Junto com seu espírito explorador, esses primeiros viandantes trouxeram, junto a sua bagagem cultural, a devoção a Nossa Senhora Aparecida, representada na imagem encravada em suas “bruacas de couro cru" e pelas orações que, memorizadas desde a infância, os levava a implorar o amparo da Virgem Aparecida nos momentos difíceis de sua caminhada exploratória.

Em 1827, o cabo Manuel José das Neves assumiu o comando do território, hoje município de Passo Fundo. Fiel a sua religiosidade, o Cabo Neves, como era conhecido, doou à Igreja metade das terras que havia recebido do Império (meia sesmaria), como prêmio por sua lealdade. Em 1835, autorizado pelas autoridades eclesiásticas, mandou erguer, onde hoje se localiza a Catedral Nossa Senhora Aparecida de Passo Fundo, uma capela dedicada a Nossa Senhora da Conceição Aparecida. Desde então, nos espaços públicos e familiares, a devoção a Nossa Senhora Aparecida passou a marcar a religiosidade do povo passofundense.

Por sobre esse terreno fértil, com capacidade para congregar e convocar o povo católico, captando o vasto âmbito do espírito mariano do povo da região, a Diocese de Passo Fundo passou a realizar, a partir do início da década de 1980, romarias em louvor à Virgem Aparecida das Águas do Paraíba.

Protagonista da ideia, o então Pe. Pedro Ercílio Simon, Reitor do Seminário Nossa Senhora Aparecida, em reunião com os padres da Diocese, na Casa de Retiros, no mês de março de 1982, propôs a realização de romarias a Nossa Senhora Aparecida e justificava sua proposta afirmando que “o povo de Passo Fundo tem demonstrado muito amor a Nossa Senhora Aparecida, podendo ser notado em numerosos nomes de firmas, bares, lojas, casas de comércio com as placas que inscrevem: “Nossa Senhora Aparecida” . Além disso, dizia o jovem sacerdote: “O povo necessita, dentro de uma visão da religiosidade popular e de pastoral urbana, expressar sua fé em grandes movimentos de massa, como são as romarias” (SIMON, 2005, p. 250).

Com o apoio de D. Cláudio Colling, então bispo da Diocese e do referendo dos Srs. bispos que o sucederam, depois de três décadas, a “Virgem Negra”, esculpida em madeira, que durante o ano permanece na Capela residencial do Sr. Arcebispo, portada em andor nos ombros de devotos, continua atraindo milhares de peregrinos que, a partir de suas histórias individuais, constroem uma única história coletiva.

O constante referendo dos Srs. Bispos da Arquidiocese tornou a romaria de Nossa Senhora Aparecida, não apenas uma marca da Arquidiocese, mas, um importante momento de consolidação e renovação da fé cristã, de solidariedade humana e fidelidade à Igreja, tendo como eixo-motor a devoção popular mariana em consonância com a teologia mariana oficial.

Colaboração: Prof. Selina Dal Moro e Pe. Ivanir Rodighero.