Santidade | por Dom Rodolfo Weber

No mês de junho a Igreja celebra a vida de vários santos muito conhecidos no meio de nós. A memória dos santos não tem o objetivo ser uma aula de história, mas visa glorificar a Deus. Deus ficou mais visível e presente neste mundo através da vida e das obras destas pessoas. Além disso, estes santos exortam todos os batizados, para serem coerentes com a fé, que devem desejar ardentemente a santidade e usar todos os meios necessários para alcançá-la.

Hoje somos nós os seguidores de Jesus Cristo e chamados à santidade. O chamado de Deus é para todos os batizados e não só para o papa, bispos, padres e religiosas. O papa Francisco nos escreveu, no dia 19 de março de 2018, por ocasião da Solenidade de São José, a exortação apostólica GAUDETE ET EXSULTATE – Alegrai-vos e exultai (Mt 5,12) - sobre o chamado à santidade no mundo atual. Em outras palavras, o papa nos anima, estimula, aconselha, adverte, encoraja para sermos santos no mundo atual. Ressalto alguns ensimentos do papa e convido a todos para lerem o texto do papa.

Diz-nos o papa: “O meu objetivo é humilde: fazer ressoar mais uma vez a chamada à santidade, procurando encarná-la no contexto atual, com os seus riscos, desafios e oportunidades, porque o Senhor escolheu cada um de nós “para sermos santos e íntegros diante delem no amor” (Ef 1,4) (nº 2). Deus nos coloca o objetivo da santidade porque não quer que nos acomodemos numa vida medíocre, superficial e indecisa.

O papa Francisco não tem por objetivo fazer uma longa explicação sobre o que seja a santidade hoje, mas oferece algumas definições, como, por exemplo, no nº 20: “No fundo, a santidade é viver em união com Ele (Cristo) os mistérios da sua vida; consiste em associar-se de uma maneira única e pessoal à morte e ressurreição do Senhor, em morrer e ressuscitar continuamente a Ele”.

Diz um ditado popular: “Para quem não sabe aonde vai, qualquer caminho serve”. O batizado sabe muito bem aonde precisa ir, por isso não serve qualquer caminho. Um dia Tomé perguntou a Jesus: “Senhor, não sabemos para onde vais. Como podemos conhecer o caminho?” Jesus respondeu: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida” (Jo 145-6). Portanto, o caminho está traçado, o rumo definido e os meios para chegar lá estão à disposição.

Então, qual é o caminho da santidade? É participar da construção do Reino de Deus. “A tua identificação com Cristo e os seus desígnios requer o compromisso de construíres, com Ele, este Reino de amor, justiça e paz para todos. O próprio Cristo quer vivê-lo contigo em todos os esforços ou renúncias que isso implique e também nas alegrias e na fecundidade que te proporcione. Por isso, não te santificarás sem te entregares de corpo e alma, dando-lhe o melhor de ti neste compromisso” (Nº 25). A construção do Reino de Deus se dá em todas as atividades que realizamos no dia a dia: nas tarefas dentro da casa, na convivência familiar, com as pessoas que encontramos na rua e no trânsito, no exercício da profissão e do trabalho, no lazer. Cada momento destes nos desafia a termos os mesmos pensamentos, sentimentos e atitudes de Cristo.

Santidade recorda perfeição. Sentimos uma alegria muito grande quando conseguimos alcançar uma meta, realizar bem uma tarefa, fazer bem um trabalho. Assim, também, santidade é alegria, porque conseguimos agir com mais perfeição, apesar de nossos pecados. “Dizia León Bloy, na vida “existe apenas uma tristeza: a de não ser santo” (nº 34).

Dom Rodolfo Luís Weber
Junho | Palavra do Pastor | Jornal Presença Arquidiocesana

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