Ano do Laicato: estímulo ao protagonismo dos leigos e a vivencia de uma Igreja em saída

Desde o início do seu pontificado, o papa Francisco insiste que a Igreja deve estar sempre em saída. Isso quer dizer que a Igreja precisa sair de si mesma e se mover entre o povo, indo ao encontro dos menos favorecidos, dos excluídos e dos necessitados, tornando-se, assim, uma Igreja inteiramente missionária.

Para conseguir atingir esse objetivo, além de contar com o empenho de todos aqueles que consagram sua vida à religião, a Igreja precisa, cada vez mais, contar com a vocação, a espiritualidade e a missão dos leigos. “Aos leigos compete por vocação própria, buscar o Reino de Deus, ocupando-se das coisas temporais e ordenando-as segundo Deus. Vivem no mundo, isto é, no meio de todas e cada uma das atividades e profissões, e nas circunstâncias da vida familiar e social, as quais como que tecem a sua existência. Aí os chama Deus a contribuírem, do interior, à maneira de fermento, para a santificação do mundo, através de sua própria função; e, guiados pelo espírito evangélico e desta forma, manifestarem Cristo aos outros, principalmente com o testemunho da vida e o fulgor da sua fé, esperança e caridade. ” (Conc. Vat. II, Lumen Gentium 31). Podemos assim dizer que a vocação laical é uma das mais expressivas manifestações de uma “Igreja em saída”.

Ano do Laicato
É, justamente, com o objetivo de agradecer e estimular essa vocação que a Igreja do Brasil vai celebrar, de 26 de novembro de 2017 à 25 de novembro de 2018, o “Ano do Laicato”. O tema escolhido para animar a mística desse período é “Cristãos leigos e leigas, sujeitos na ‘Igreja em saída’, a serviço do Reino” e o lema “Sal da Terra e Luz do Mundo”, Mt 5,13-14. Sob esse prisma, ao longo do Ano do Laicato, a Igreja deverá focar suas ações em três objetivos principais: comemorar os 30 anos do Sínodo Ordinário sobre os Leigos (1987) e os 30 anos da Exortação Christifideles Laici, de São João Paulo II, sobre a vocação e missão dos leigos na Igreja e no mundo (1988); dinamizar o estudo e a prática do documento 105 da CNBB - Cristãos leigos e leigas na Igreja e na sociedade - e demais documentos do Magistério sobre o laicato, em especial do papa Francisco; estimular a presença e a atuação dos cristãos leigos e leigas, “verdadeiros sujeitos eclesiais” (DAp, n. 497a), como “sal, luz e fermento” na Igreja e na sociedade.

Em busca de transformação
Assim, de acordo com o presidente da Comissão Episcopal Especial para o Ano do Laicato, Dom Severino Clasen, espera-se que este ano promova o entusiasmo entre cristãos leigos e leigas, para que continuem a atuar junto à vida eclesial e também na busca da transformação da sociedade. “Eu acredito que se conseguirmos estimular a participação e presença efetiva dos cristãos leigos na sociedade provocando que aconteça a justiça e a paz, será um grande legado”, disse o bispo, em entrevista concedida ao site da CNBB.

Ouça, aqui, o Hino do Ano do Laicato

Missão insubstituível
Para dom Rodolfo Weber, arcebispo de Passo Fundo, a missão dos leigos na Igreja é insubstituível, pois são discípulos e missionários nos mais diferentes ambientes eclesiais. "Os leigos não substituem o clero e os religiosos, nem o clero e os religiosos substituem os leigos naquilo que lhes compete por vocação e missão. Os leigos participam ativamente na ação pastoral da Igreja, desde a organização das comunidades, na catequese, na liturgia, nas celebrações, nas pastorais, grupos e serviços, entre outros. Levam as pessoas a Cristo e Cristo às pessoas, aprofundando a fé a adesão Ele", comenta. 

O arcebispo ressalta, ainda, que essa missão se estende no mundo. "Se a missão dos leigos na Igreja é insubstituível o mesmo vale para a sua missão no mundo. A sua missão no mundo é administrar e ordenar as coisas temporais. No exercício da profissão, no trabalho, na vida familiar e social são chamados por Deus, como leigos, a viver segundo o espírito do Evangelho, como fermento de santificação do mundo, brilhando em sua própria vida pelo testemunho da fé, da esperança e do amor, de maneira a manifestar Cristo a todos os homens", coloca. "Em outras palavras, é ter uma postura de cristão. É agir conforme a ética cristã. É não ficar indiferente diante das situações de sofrimentos, de injustiças e da degradação social e moral da social. É propor leis e meios de promover o bem comum", conclui. 

Assessoria de Comunicação da Arquidiocese de Passo Fundo
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Colaboração: Vanessa Lazzaretti | PASCOM

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