Romaria de São Miguel: em busca da paz

Procissão, que é a mais antiga do estado, acontece no dia 24 de setembro

A busca pela Cultura de Paz é a motivação para as celebrações da 146ª edição da Romaria de São Miguel que, no próximo domingo, 24 de setembro, busca reunir, mais uma vez, milhares de fiéis devotos ao arcanjo em Passo Fundo e região. O tema “São Miguel e a Cultura de Paz” é o norte para a reflexão que também será orientada pelo lema “Eu vos dou a minha paz (Jo 14,27)”.

Peregrinação: reflexão, espiritualidade e partilha
A proposta, segundo o padre Carlos Jaroceski, pároco da paróquia São Vicente de Paulo, responsável pela procissão, é estimular a aproximação e o bom convívio entre as pessoas e comunidades. “São Miguel é o patrono da paz e da justiça e, observando nossa sociedade, percebemos que há muita violência, impaciência e falta de diálogo. Assim, nossa proposta é, através da figura de São Miguel, estimular a paz entre as pessoas, entre as famílias, na comunidade e na sociedade”, coloca. Para realizar o trabalho necessário, a comunidade está organizada em equipes que se dividem nas tarefas. “Já é uma organização tradicional para a comunidade que acolhe.”, explica o pároco.

A peregrinação - que acontece desde 1871 sendo, assim, a mais antiga do Rio Grande do Sul – envolve o trabalho da paróquia São Vicente de Paulo e, também, das comunidades, especialmente da localidade do Pinheiro Torto, local onde está construída a Capela de São Miguel. Antes da Romaria, no entanto, os romeiros se reúnem em preparação: desde a quarta-feira, 20, a Capela recebe a comunidade em celebrações que refletem o lema da Romaria e ajudam a vivenciar a devoção a São Miguel. O tríduo será encerrado nesta sexta-feira, 22, com uma procissão luminosa que inicia no Posto São Miguel e segue em direção à Capela.

Programação
No domingo, às 8h30, a paróquia São Vicente de Paulo inicia a manhã com uma missa de acolhida aos fiéis. A peregrinação inicia às 9h15 em frente à igreja e segue em direção à Capela onde, por volta das 10h30, será realizada uma missa festiva com a presença da imagem histórica de São Miguel. Mais tarde, às 11h30, o Grupo Alforria de São Miguel faz uma apresentação cultural africana. Ainda, no local serão vendidos cartões para o almoço –churrasco e carreteiro. Também estará disponível o serviço de copa e cozinha com a venda de doces, bolos, pastéis, água e refrigerante. Na parte da tarde, será realizada a bênção da saúde e, por fim, a comunidade poderá prestigiar um momento de integração.

História, religiosidade e devoção
Tradicional em Passo Fundo, a Romaria de São Miguel tem suas origens na história de dois escravos que, ainda no século XIX, voltavam da Guerra do Paraguai quando, ao chegarem às terras onde hoje fica o atual distrito do Pulador, uma pequena estatueta de São Miguel Arcanjo os impede de continuar. Inspirados pela imagem, os escravos conseguiram que, nas terras de Bernardo Castanho Rocha, fugindo dos ares urbanos e direcionada para o povo do campo, fosse construída, de pau-a-pique e com telhado de capim, uma pequena capela.

Hoje, reformada e tombada como patrimônio cultural, a capela é o foco da fé. “A devoção ao arcanjo é fundamentada no antigo e novo testamento quando se fala que Deus enviará anjos para cuidar de cada um dos seus pequeninos e, principalmente, dos mais necessitados. Quando somos crianças, já somos inseridos nessa espiritualidade. Então a devoção à São Miguel vem, justamente, pelo desejo de proteção, de cuidado.”, comenta o padre Carlos que acrescenta, ainda, que a figura de São Miguel é essencial para as comunidades. “São Miguel é decretado como protetor de toda a Igreja Católica. Biblicamente é considerado aquele que defende contra as injustiças, contra qualquer tipo de violência. Hoje, está presente justamente pra ajudar a defender dos males que a sociedade e o mundo apresentam”, coloca.

Sammara Garbelotto
Assessoria de Comunicação da Arquidiocese de Passo Fundo
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