Arquidiocese de Passo Fundo
 
 
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14.Ago - Jovem, in persona christi
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Jovem, in persona christi

 


Dialogar e agir, propondo uma pastoral sinodal, impele diagnosticar qual projeto seguir, certo? Quando deseja-se edificar, construir, faz-se necessário saber o local, angariar recursos, dispor tempo para acompanhar a obra e as pessoas envolvidas, porém, antes é essencial discernir qual projeto irá orientar toda ação, não é? Para tanto, confia-se no serviço profissional de inúmeras pessoas que, trabalhando na alteridade de dons e habilidades, executam com maestria as intuições, objetivações e orientações sugeridas no projeto em questão, elaborado à vontade de seus proponentes. Quando se pensa a ação sócio eclesial, evangelizar é o primordial objetivo à “alegria do evangelho.” O projeto vital à Igreja Católica é o Reino de Deus. E quanto aos jovens?


À sinodalidade, caminhar e estar junto aos jovens, é opção fundamental, é projeto de vida! “Para anunciar a Boa Nova não se pode ficar na superfície” evoca Hilário Dick (in memória) ao publicar o livro “O Divino no Jovem.” Dick, primeiro assessor nacional (1981 a 1983) sob convite da CNBB, a pedido dos(as) jovens, transfigurou sua vida à causa juvenil. Papa Francisco recorda que durante o Sínodo se exclamou: “a juventude é uma etapa original e estimulante da vida, que o próprio Jesus viveu, santificando-a” (ChV, n.22). Jorge Trevisol, na canção “o mesmo rosto,” sugere que “o rosto de Deus é jovem” e acrescenta: “se a juventude viesse a faltar o rosto de Deus iria mudar.” Inúmeras vezes, estando com jovens, canta-se tal compreensão teologal. “É importante estar ciente de que Jesus foi um jovem. Deu sua vida em uma etapa que hoje se define como a de um adulto jovem. Na plenitude de sua juventude, começou sua missão pública” (ChV, n.23). Será, à nós, novidade? 


Revisitar estudos e ações pastorais permite-nos saber, por exemplo, que o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) registrava a maior população juvenil (15 a 24 anos) da história, ultrapassando 30 milhões, no início deste milênio. A realidade revelava-se diversa, pois as análises constatavam uma menor inserção juvenil no campo sócio eclesial, se equiparada as décadas anteriores. Padre Hilário, no livro “Gritos silenciados, mas evidentes,” reflete que neste milênio, a juventude, de um modo geral, é aceita como fenômeno emergente importante, mas há dúvidas sobre como nele intervir e, por isso, a primeira reação é “uma estranha omissão misturada com insegurança” (DICK, 2003, p. 296) por parte da sociedade civil. Contudo, dirá Dick, “a instituição que se destaca no trabalho com as juventudes é a Igreja católica. Não há, no começo deste século, outra instituição tão comprometida com os jovens como ela” (DICK, 2003, p. 297). E agora? Que fazer?


A Arquidiocese de Passo Fundo, nesta construção, por entender que o contexto social era e é elemento importante para a ação pastoral, executa uma pesquisa científica local, com o objetivo de compreender os adolescentes crismados do ano 2000, “analisando as causas da pouca inserção social e comunitária, identificando seus anseios e sonhos, buscando outros recursos de evangelização.” O projeto desenvolveu-se, entre 2000 e 2003, em 875 comunidades diocesanas, sendo publicado na Coleção Cadernos de Formação. Otávio José Klein, fora coordenador e organizador. A partir da pesquisa elabora-se o Projeto Pós-Crisma. Padre Ladir Casagrande coordena a pastoral diocesana e Padre Adelar Carlos Dalsoto a missão de acompanhar a coordenação de jovens na execução do projeto pós-crisma junto às comunidades. Neste percurso, estudante e agente pastoral, componho a coordenação de jovens, estando a jovem Aparecida Montana na secretaria pastoral. Construir-se na alteridade, conscientes da realidade sócio eclesial para propor caminhos à Civilização do Amor.


A sinodalidade pastoral desafia e pedagogicamente ensina caminhar com os(as) jovens, escutando, observando, propondo ações, à luz do Evangelho, porque se opta e acredita encontrar Jesus Cristo em cada jovem. “Deus é Jovem,” exclamou o Papa Francisco. A Boa Notícia é novidade, tal qual são os(as) jovens à edificação do Reino de Deus, hoje. Cada jovem é sujeito, sinal sacramento de Deus, protagonizando história e transformando contextos sócio eclesiais, políticos, econômicos e culturais. E, como propõe o lema deste mês vocacional: “és precioso a meus olhos. Eu te amo” (Is 43,4).


Jovem, todos(as) somos amados(as) e chamados(as) por Deus à alegria do evangelho! A pastoral sinodal contribui para o discernimento de nossa vocação cristã e ação profissional na sociedade contemporânea. Particularmente, optei seguir a vocação presbiteral, pois descobri na missão junto aos jovens que, ser feliz como padre, era meu projeto de vida e resposta vocacional ao chamado de Deus. Recebi, aos 24 anos, o sacramento da ordem - Jovem, in persona christi. Nestes 12 anos, hoje adulto, cada encontro é descoberta, aprendizado, partilha, pois, transpirar amor pela vida da juventude é viver o lema escolhido para o ministério: “Eu amo a todos vocês em Jesus Cristo!” (1 Cor 16,24). Hoje, 04 de agosto, por coincidência, é dia do Padre. Gratidão a você amado(a) jovem, porque és inspiração para este aprendiz seguir de Jesus Cristo. Perdão também! Conte comigo, hoje, amanhã e depois. Às vezes, estou contigo, mas tenha certeza: Deus caminha sempre! Jovem, aceitas à vida, companhia? 


 


Padre Leandro de Mello

Padre Leandro de Mello

Pároco na paróquia São Francisco de Assis e Assessor da Pastoral da Juventude

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