Arquidiocese de Passo Fundo
 
 
FORMAÇÕES
07.Ago - E, por que não escutar a juventude?
Aumentar Fonte +
Diminuir Fonte -
E, por que não escutar a juventude?


Agradeço o convite que me fora encaminhado, propondo rabiscar, semanalmente “uma mensagem, em especial, direcionada aos jovens.” Contraponho, hoje à fala, o escutar. Por que escutar? Pensar a escuta, ao assessorar, como instrumento pedagógico social para a autonomia do protagonismo juvenil na vida pastoral. A pesquisa acadêmica, por exemplo, aufere-se adolescente quando reflete acerca da juventude. Para adolescer é preciso perceber-se, saber que a realidade é composta por incoerências, contradições, experiências novas.


Escutar a juventude é missão exigente, se quisermos chegar as facetas de um processo comunicativo em construção no que tange a participação consciente, afetiva e efetiva na alteridade à prática pastoral. Implica descobrir-se, na opção de assessorar, neotéfilo(a) da juventude que peregrina caminhos sócio eclesiais. Analisar com clareza a presença construtiva da autonomia, contextualizada nos espaços, aos quais os jovens e as jovens se descobrem protagonistas com voz, vez, lugar. Pensa-los como atores da e na sociedade, e questionar quais os aspectos e os momentos para a expressão juvenil?


O diálogo reflexivo desenvolve-se frente as facetas e arestas ligadas a pesquisa e ao acompanhamento juvenil. É importante salientar que a pesquisa sobre o tema juventude, relativamente recente, traz consigo complexo debate, por vezes controverso, inquietante, pouco unanime, contudo instigador e merecedor de uma progressiva atenção pelas instituições, o mundo acadêmico e a sociedade contemporânea.


A Igreja, ao confiar nos jovens e vislumbrar neles um verdadeiro potencial, atualiza a afirmação: “a missão da Igreja hoje é fazer uma Pastoral da Juventude atenta às necessidades do tempo presente, traduzindo o Evangelho para a vida dos jovens” (CNBB, 1986, n. 94). “Para isto necessita ter amplo conhecimento da juventude e de sua realidade, em todos os níveis e aspectos e saber mais escutar do que falar” (CNBB, 1998, p. 196). Há esperança! O documento final da XV Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos, refere-se ao cuidado pastoral, ao apresentar a Igreja como um lar para os jovens, “um lar acolhedor, caracterizado por uma atmosfera familiar de confiança” (DI-51, 2019, n. 138).


A Igreja dispõe-se como lar, é verdade, provocada pelo Papa Francisco que aponta para ela como casa aberta (EG, n. 47) e denuncia profeticamente: “Nas estruturas ordinárias, os jovens habitualmente não encontram respostas para as suas preocupações, necessidades, problemas e feridas” (EG, n. 105). Que fazer? Qual “Wi-fi” contemporâneo?


À ação pastoral da Igreja, instituição e lideranças, é prudente e salutar educar-se, diuturnamente, à escuta e ao agir pedagógico da e com a juventude, rememorando sua opção preferencial pelos jovens e pelos pobres, a partir do Evangelho e, documentalmente manifesta, em seus escritos. Será sempre importante estar atenta à metodologia pastoral e à formação integral. O tornar-se sujeito é aprendizado permanente na mobilidade dialética da vida e da práxis pastoral. Constrói-se na alteridade integral das pessoas. Quando emergem crises à ação evangelizadora é preciso dialogar com franqueza e abrir-se à criatividade.


Pensando de forma ampla, para além da dimensão eclesial. Escutar tornar-nos prudentes e sábios sujeitos, aptos à atitude primordial, a humildade diaconal! Enquanto seres humanos em alteridade, o assessorar, constrói-nos protagonistas do direito que os(as) jovens têm de ser assessorados(as), cuidados(as), escutados(as), amados(as) em seu protagonismo juvenil. A história registra-se memorável à articulação e efetiva execução do direito de escuta que os jovens das diversas pastorais protagonizaram junto a Igreja e a sociedade civil e suas representações, ao solicitar o serviço de alguém que lhes acompanhe na vida sócio eclesial.


Assessorar e escutar jovens, é missão à fermentar esperança pela presença e testemunho, pelo anúncio e silêncio pedagógico, pela crítica e serviço, na gratuidade. Pisar o chão sagrado e fértil da realidade histórica, encarnados da ação pastoral transformadora e libertadora ao construir a Civilização do Amor, a serviço da juventude; torna-nos sujeitos em processo de construção, desconstrução e reconstrução na alteridade que chama à lavar os pés juvenis; permite-nos provocar um diálogo geracional de mútua comunicação.


Subtrair-se desta responsabilidade canônico social, e por que não dizer cívica, é insustentável; um atentado imensurável ao processo de formação integral; uma falta de visão e compromisso à vitalidade da ação pastoral sócio eclesial. Furtar-se desta responsabilidade implica, talvez, apassivar-se ante um possível sequestro do protagonismo dos sujeitos na vida e na pastoral. Um real atentado à emancipação juvenil, ante o despreparo das pessoas responsáveis por assessorá-los(as), não? Reverbera a questão: E, por que não escutar a juventude?



Padre Leandro de Mello

Padre Leandro de Mello

Pároco na paróquia São Francisco de Assis e Assessor da Pastoral da Juventude

Indique a um amigo
 
CONTATO
Cúria Metropolitana
Rua Coronel Chicuta, 436 - 4º Andar | Edifício Nossa Senhora Aparecida - Centro - 99010-051 | Passo Fundo/RS
(54) 3045-9240

Centro de Pastoral
Rua Coronel Chicuta, 436 - 2º Andar | Edifício Nossa Senhora Aparecida - Centro - 99010-051 | Passo Fundo/RS
(54) 3045-9204
 
 
 

Copyright @ 2020 - Arquidiocese de Passo Fundo. Todos os direitos reservados.